Esqueceu a senha ?
Ainda não se cadastrou ? Cadastre-se!

 

Cadastre-se! 

CADASTRE-SE! É grátis e você fica logo na primeira fila para receber as novidades da minha newsletter e das vitrines em 3D. Clique aqui! 

 
 
Otica Digital_ray_ban_banner_240x240_setembro
Clique aqui para receber nossos feeds:
 
flagrante.gif
Moda masculina na balança
25-02-2010, 18:27

Desfile Dolce & Gabbana, inverno 2010 Um dos comentários mais recorrentes durante a temporada de desfiles brasileiros, em janeiro, era sobre a qualidade das coleções masculinas apresentadas no Rio e em São Paulo. Dizia-se pelos corredores que na maioria das coleções mistas – como Redley, Osklen e Ellus -, os looks masculinos destacavam-se como detentores das reais novidades das passarelas, desbancado a moda feminina. Movimentos como o que ocorreu ontem em Londres, que reservou o último dia de sua semana de moda para desfiles masculinos, apontam que a moda para os homens pode estar passando por um “boom”. Para entender e decifrar o possível fenômeno, Amanda conversou com alguns dos mais respeitados criadores de moda masculina (ou mista) do Brasil.

 

Espaço na passarela

 

No Fashion Rio que mostrou suas coleções para o próximo inverno, das 27 grifes desfiladas, apenas uma, a R.Groove, era exclusivamente dedicada ao universo masculino. Em São Paulo, o resultado não foi muito diferente; somente três – Mario Queiroz, Alexandre Herchcovitch e Reserva - dos 37 desfiles eram voltados aos homens. Enquanto isso, no hemisfério norte, Milão e Paris desfilam suas coleções masculinas em uma temporada exclusiva, quase dois meses antes dos desfiles femininos, Nova York engrossa o hall de grifes mistas e Londres reserva um dia inteiro de seu calendário para a moda dos homens. Diante deste cenário, a pergunta que fica é: falta espaço para a moda masculina se mostrar no Brasil?

 

ronymeisler.jpgPara Rony Meisler, nome à frente da Reserva – grife carioca que existe desde 2003, inteiramente dedicada aos homens -, o espaço não é um problema: “percebo o movimento de moda masculina ganhando força principalmente no Rio, onde diversas boas iniciativas têm surgido. Acho que o espaço para a moda masculina é enorme já hoje”, completa. O estilista Mario Queiroz, que começou mostrando suas coleções no Rio e está no mercado há mais de 13 anos, diz que faltam marcas mais audaciosas e que tenham mais vontade de criar para um homem que não se conforma em vestir uma “bermuda sem graça”.

 

Adriana Bozon, nome à frente da Ellus e da 2nd Floor, afirma que a moda masculina deve ganhar mais atenção e que ainda tem muito para onde crescer, mas que em suas coleções, as roupas para os homens ganham o mesmo cuidado que as femininas. Na passarela das grifes, Adriana divide masculino e feminino sendo um terço para looks masculinos e o restante para as mulheres, mesmo que as lojas da grife vendam coleções que são compostas por 50% masculino, 50% feminino. Satisfeito com o espaço está Maxime Perelmuter, fundador da British Colony, que afirma que em dez anos de carreira, o mercado da moda masculina está melhor do que já foi. Uma prova disso é a intenção de Paulo Borges, da Luminosidade, empresa responsável pelo Fashion Rio e pela São Paulo Fashion Week, de incluir mais grifes no line up das duas semanas de moda.

 

“A moda masculina está no auge da maturidade”

 

Quem afirma é Maxime Perelmuter. O estilista, que começou a criar moda quando ainda estava na faculdade de Marketing, em 1999, completa ainda: “não acho que este fenômeno da moda masculina esteja acontecendo agora; acho que é algo que vem da virada do século. Acho que este é o “novo homem”. Agora a moda masculina está bem afinada”.

 

maximeperelmuter.jpgSobre o possível “boom” na moda masculina atual, Maxime mantém a discordância: “em 1999, quando fazia a minha monografia, eu já afirmava que haveria um crescimento maior na moda masculina, pois acreditava que o homem iria buscar alternativas, então não acho que isto seja atual. Penso é que se formou um ciclo de crescimento, o qual a meu ver, está chegando ao fim. Acho que agora a moda masculina passa a crescer em menor proporção, ainda que faltem alguns pontos a colocar”.

 

A visão de Maxime Perelmuter, que também cria roupas femininas desde 2003, ainda vai além: “um dos sinais de que a moda masculina está bem desenvolvida é o fato de as mulheres cada vez mais quererem peças do guardarroupa masculino. Elas querem as calças, as bolsas, os paletós... Acho interessante este movimento, pois faz com que a mulher descubra novas facetas da sensualidade, sem que ela seja atrelada somente ao caliente, à mulher latina”.

 

“Há marcas que teimam em propor que seus consumidores saiam fantasiados nas ruas”

 

Quando o assunto desloca-se para o consumidor de moda masculina, as opiniões se divergem. Enquanto Mario Queiroz vê uma deficiência nas multimarcas, se dizendo acreditar que “faltam compradores de moda mais preparados para selecionar o que comprar e passar para seus clientes”, Rony Meisler aponta: “em minha opinião, o grande problema está no fato de que a maioria das marcas idealiza um cliente que não existe no Brasil. Teimam em propor que seus consumidores saiam fantasiados na rua. Para quem faz moda masculina de verdade, o Brasil já é hoje um enorme mercado”.

 

Já Maxime, afirma que o consumidor ainda é medroso e que, inclusive, as mulheres estão presentes, dando opinião, em muitas de suas compras. Ainda assim, o estilista carioca completa “desde 1999, foram tantas as influências que o homem recebeu - como dândis, metrossexuais, yuppies, e o esporte -, que agora os homens já puderam escolher suas referências e então optar por um básico diferenciado”. Maxime ainda completa: “acho que este comportamento é parecido com o descrito pelo Paulo Coelho, que fala do aventureiro que deu uma volta enorme e descobriu o tesouro ao lado do ponto de partida”.

 

E o futuro da moda masculina?

 

marioqueiroz.jpgPara Rony Meisler, da Reserva, a alfaiataria tem muito a crescer: “aposto que a alfaiataria será a bola da vez no universo masculino brasileiro em no máximo duas estações. O nosso homem a enxerga de forma mais informal, com materiais esportivos e acabamentos inusitados”. O estilista completa ainda que “o impacto ambiental e social decorrente de tudo aquilo o que fazemos e consumimos ganhará mais importância”. Consumo consciente também é a bandeira de Maxime Perelmuter: “o futuro é seguir em frente, saber comprar e promover um consumo consciente. Acho que homens podem comprar menos, mas de forma mais direcionada”, afirma.

 

Na opinião do fundador da British Colony, a moda masculina já conhece seu terreno: “por volta do ano 2000, ainda havia a fase de experimentação masculina. Houve quem sugerisse coisas como saia ou calça de xantungue para os homens, mas este período já passou. Estou satisfeito com o que o homem se propõe hoje, escolhendo o que vestir, mas com personalidade e principalmente tendo em mente que homem é homem e mulher é mulher”, completa.