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| O encontro da arte e da moda |
| 04-02-2010, 19:50 | |
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Foi no Fashion Rio que a arte permeou mais mentes
criativas. De uma forma ou de outra, Claudia Simões, Coven, Giulia Borges, Alessa,
Graça Ottoni e Acquastudio trouxeram à tona influências artísticas –
contemporâneas ou não - traduzidas em peças que já entraram para muitas listas
de desejos pelo Brasil afora... Com
referências trazidas desde as pinturas que geraram estampas, até o
estilo e a cartela de cores escolhida por determinado artista, estas
inspirações podem pintar na passarela de diversas formas.
As referências artísticas que Claudia Simões buscou
para esta temporada foram espertamente mixadas nos looks do inverno de sua
marca. Enquanto o artista expressionista Jackson Pollock emprestou sua técnica
de pintura sob a forma de estampas artsy, as pinceladas mais bruscas e
abstratas do pintor russo Mark Rothko influenciaram a
escolha das cores da coleção. O resultado não poderia ter sido melhor, já que
as tais estampas artsy, coloridas com tons de azul cobalto, preto, branco e
coral combinaram-se perfeitamente com as peças de silhuetas clássicas criadas
pela estilista.
Na coleção de Liliane Rebehy para a Coven, a
inspiração na série “Disasters of War”, de Goya é mais subjetiva. Nesta série
de 82 peças, o pintor espanhol Francisco Goya abandonou as cores e adotou
formas de criação de imagens que vão desde o uso de tintas solúveis em água,
até o uso de carimbos formados através da combinação de ácido e metais. O
resultado são imagens bicolores que têm nas sombras a maior forma de expressão.
Por conta destas técnicas, além dos cabelos que parecem ter saído de uma
guerra, a arte de Goya emprestou referências militares através de paetês foscos
que simulavam cotas de aço e ares dramáticos aos looks feitos em tricô da
Coven.
Por definição, o Cubismo é o movimento artístico que
desmembra geometricamente imagens em prol de uma espécie de ‘colagem’
desorganizada destes itens. Um dos grandes nomes do Cubismo é Picasso, cuja
paleta de cores preferidas, composta principalmente por amarelos em diversas
tonalidades, também casa-se com os instrumentos musicais que Alessa escolheu para
estampar a seda de seus vestidos.
Ao contrário de muitos outros estilistas, Giulia
Borges preferiu inspirar-se na obra de um artista contemporâneo e, assim,
conseguiu com que o artista canadense Kristian Adam criasse duas imagens
exclusivas que estamparam vestidos da marca. Kristian é conhecido por criar
bonecas de ares soturnos e também por trabalhar muito com tons apagados como
preto, branco, bege e outras versões menos saturadas de beges, vermelhos e
azuis. Por conta das silhuetas, maquiagem das modelos e cores, o desfile
pareceu o cenário perfeito para as bonecas de olhares entediados do artista
canadense.
Graça Ottoni tomou um caminho parecido com o de Giulia
Borges. Para estampar seu inverno, a estilista recorreu ao artista plástico e
amigo, Dudu Tagliaferri. Não muito conhecido por aqui, pó artista cria imagens
através de mata-borrões saturados com tintas ultra coloridas. Na coleção, a
estampa apareceu com força total em algumas peças ou também velada pela
sensualidade dos tecidos transparentes dos quais Graça Ottoni tanto gosta.
Uma das características marcantes da artista
brasileira Malu Saddi é a delicadeza de seus traços. Mesmo sob fundos pretos,
as linhas de tons geralmente pastel encontram-se em desenhos abstratos super
orgânicos. Inspiração perfeitamente de acordo com o estilo romântico, porém
contemporâneo – que permeia as coleções de Andrea Marques. A arte da paulistana
traduziu-se na coleção da estilista carioca principalmente sob a forma de
drapeados em seda que compunham saias e vestidos da coleção.
A inspiração de Esther Bauman, nome à frente da
Acquastudio partiu de um artista que não trabalhava com pincéis ou tintas, e
sim com esculturas de vidro. Os famosos vasos do francês René Lalique foram o
ponto de partida para a coleção que esbanja formas marcantes. Curvas sinuosas,
quadris pontiagudos – que beiram o absurdo – e as cores lavadas remetem às
peças feitas de cristais foscos que eram característicos na obra do artista.
Não é a primeira vez que Erika Ikezili criou uma
coleção baseada em referências artísticas, então não foi surpresa quando se viu
que esta seria a única estilista a buscar inspiração nas artes plásticas nesta
edição da SPFW. A estilista escolheu logo três: o primeiro – e mais importante
na coleção -, Fred Eerdekens trabalha com a projeção de sombras de determinados
objetos que geram palavras, Mira Schendel que embaralha letras e influenciou
nas estampas e Kumi Yamashita que une números a sombras em uma espécie de
casamento entre os dois artistas anteriores. |






